MAIS OU MENOS, QUASE NADA

domingo, agosto 16, 2020

Esses dias, quase três meses mais especificamente, tive uma crise de ansiedade. Uma das piores.

Estava fazendo uma prova com consulta e, ainda assim, fui mal nela. O motivo do meu surto foi, mais uma vez, ter de encarar que eu sou uma pessoa medíocre. Com medíocre quero dizer aquela pessoa mediana, que não é ruim em nada, mas também não é boa em nada. Aquela pessoa que tem momentos muito bons e que rapidamente passam, pois, de alguma forma, sua felicidade é mediana e por isso dura menos que a felicidade das outras pessoas.

Desde criança, meu maior medo sempre foi ser uma pessoa medíocre. Me lembro de fantasiar sendo a tecladista do Mamonas Assassinas e ser o foco da banda. Várias e várias entrevistas que já dei, conversando sozinha. Quando eu imitava as falas do filme que eu havia assistido centenas de vezes, sempre interpretava os personagens mais carismáticos e divertidos virando o centro das atenções, etc etc.

Cresci. Estou com 22 anos. E para a infelicidade da Anna Clara de 7 anos de idade, me tornei o personagem que todo mundo gosta, mas não tem muita importância na trama da história. Me tornei o vendedor de repolhos que sempre tem seus produtos destruídos pelo Avatar Aang sem querer; me tornei os irmãos chimpanzés de Madagascar, que sempre aparecem com umas piadinhas "marotas"; a Fleur Delacour do Torneio Tribuxo, eliminada na segunda prova.

Eu sou aquela pessoa que sempre tira 6 ou 7 na prova. Aquela pessoa que é a última opção de companhia de todos os amigos. A que dá bons conselhos e não sabe se divertir. Engraçada, mas não hilária. Não tem opiniões, não tem problemas, não se sente triste, não se preocupa, porque não é a protagonista da história.

Eu me impressiono com a velocidade como minha mediocridade tomou conta da minha vida. Num instante, era uma das alunas mais inteligentes da escola, sempre chamada para concorrer naquelas provas para ganhar bolsa em escolas privadas. E no outro, aquela que até tem potencial, mas não se empenha ou se desafia o suficiente para vencer na vida.

Aos 15 anos de idade, depois da ansiedade finalmente ter tomado rapidamente conta da minha cabeça e abrido espaço para uma depressão nunca diagnosticada, me vi, pela primeira vez, vazia. Sem personalidade. Sem identidade. Sem história. E assim, permaneço.

Agora, adulta, vejo pessoas apontando para mim dizendo que não sou feia, mas também não sou bonita. Não preta, pois não pareço preta. Não sou branca, pois não me pareço branca. Não sou parda, pois pardo não existe. Não sou magra, mas não sou tão gorda assim também. Até minha altura, devo ter 1,61m. Não um metro e sessenta, mas um metro e sessenta e um.

Se não sou tão assim, nem tanto assim, então quem eu sou?

Creio que esse seja o motivo em que eu não tenho muita fé em mim mesma. Quero fazer jornalismo, mas sempre tiro notas médias nos vestibulares e nunca passo, então não sei por que dessa vez seria diferente. Não estudo, não me esforço, sei que me viro bem, mas sei também que não importa o quanto eu me dedique, nunca vai ser bom o suficiente. Então, por que tentar?

Esse texto não tem uma lição de moral, nem ao menos tem uma conclusão. Apenas queria compartilhar um texto medíocre, num blog medíocre, administrado por uma pessoa medíocre. 

Eu.

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