#Crônica: Final de Tarde...
sábado, abril 18, 2015
(Encontrado em: http://loish.net/pink-lemonade/ )
Consigo o melhor banco do ônibus para me sentar. Aquele banco alto. Não é exatamente o melhor lugar do ônibus, a única coisa de especial que ele tem é a altura, mas não penso muito nisso, apenas me sento e observo a janela. Observo o bairro em que estava no momento. Não havia muitas pessoas ali, apesar da hora. O céu exibia um show de cores nos seus mais variados tons em vermelho. Um grupo de crianças atravessa a rua; risonhas, faziam brincadeiras entre si. Alguns velhinhos na rua, observavam as pessoas passando, assim como eu.
Fixei meu olhar em um velhinho em especial. Esboçava uma expressão cansada, como se já tivesse vivido o suficiente para saber como julgar cada indivíduo que passada por sua frente. Fazia caretas toda vez que alguns jovens passavam por ele. Rio comigo mesma. Não o julgo, pois não teria uma experiência tão extensa quanto a dele, mas imagino como devia se sentir ao redor de tantas pessoas que com o passar dos anos, se tornavam cada vez mais estranhas e distantes. Imagino como seria estar sempre se sentindo cansado, com os braços e pernas frágeis, tendo que se apoiar, sempre, em uma bengala de madeira. Imagino como seria estar perto da morte, ser tão vulnerável que um resfriado poderia o prejudicar de tal forma, que causaria sua morte.
Balanço a cabeça.
Afasto esses pensamentos de minha mente.
O ônibus vira uma esquina.
Agora, estava num bairro mais agitado, porém, mais aconchegante, não sei ao certo se é essa a palavra que se encaixaria, mas de certa forma, era assim que eu conseguia descrever em uma só palavra. Neste bairro, era possível se ver mais árvores e mais bancos com seus micro-parques, alguns cachorros andavam atrás de pessoas que levavam sacolas de comida consigo. Algumas crianças brincavam na rua, uma senhorinha limpava sua calçada com uma mangueira; ela feliz, cumprimentava aqueles vizinhos que passavam em frente a sua casa. E um casal, no qual eu comecei a observar, estava, sentados em um dos bancos de uma das pequenas praças centrais. Era um casal bonito. Observo cada gesto. Cada abraço. Cada sussurro. Cada beijo. Um sentimento de solidão começa a florescer em meu peito e secretamente os invejo.
Em silêncio, desejo aquilo para mim.
Eles me notam e imediatamente paro de encará-los.
O ônibus muda de esquina.
Nesse bairro não havia muitas coisas para se olhar, era o centro da cidade, onde havia prédios, estações, transito. O ônibus para por causa do farol fechado. Pude ver ao lado de um ponto de ônibus um mendigo, pedindo esmolas. Sinto um pouco de pena e angústia ao ver seu estado. Ele estendia sua mão para aquelas que pela sua frente passavam, e essas apenas ignoravam. Uma garotinha, acompanhada de sua mãe, o encara. Sua mãe começara a caminhar um pouco mais rápido ao passar em frente ao pobre coitado, puxando sua filha para mais perto, proibindo-na de o olhar.
Não sei ao certo o porquê, mas aquela atitude me fez ficar indignada. Então quer dizer que o pobre coitado não merece um olhar inocente de uma criança, apenas porque não tem o que comer? Porque não tem uma vida como a dos outros que lhe cerca? Ele mora não miséria, será que poderia ao menos respeitá-lo? Minha vontade era de descer do ônibus, e dar todo o dinheiro que tivesse para aquele homem que na calçada sentava. Queria me pendurar da janela do ônibus e jogar todas minhas moedas que guardava à dias na mochila. Mas querer não seria o bastante, e não faço aquilo que ansiava em fazer. Não é por mau, é que, toda vez que faço alguma coisa boa, um sentimento estranho e desconhecido por mim, me invade e por esse mesmo motivo, não repito-o.
O mendigo me nota e murmura um:
"Boa noite...!"
Estou prestes a responder, mas o farol abre e o ônibus começa a andar.
O mendigo fica para trás...
Em minha mente, o respondo:
"Boa noite..."
Não sei ao certo o porquê, mas aquela atitude me fez ficar indignada. Então quer dizer que o pobre coitado não merece um olhar inocente de uma criança, apenas porque não tem o que comer? Porque não tem uma vida como a dos outros que lhe cerca? Ele mora não miséria, será que poderia ao menos respeitá-lo? Minha vontade era de descer do ônibus, e dar todo o dinheiro que tivesse para aquele homem que na calçada sentava. Queria me pendurar da janela do ônibus e jogar todas minhas moedas que guardava à dias na mochila. Mas querer não seria o bastante, e não faço aquilo que ansiava em fazer. Não é por mau, é que, toda vez que faço alguma coisa boa, um sentimento estranho e desconhecido por mim, me invade e por esse mesmo motivo, não repito-o.
O mendigo me nota e murmura um:
"Boa noite...!"
Estou prestes a responder, mas o farol abre e o ônibus começa a andar.
O mendigo fica para trás...
Em minha mente, o respondo:
"Boa noite..."

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